O cenário político da Fifa atravessa um momento de intensa instabilidade, marcado pela estratégia de reeleição de Gianni Infantino e pela resistência de blocos continentais liderados pela Uefa. Enquanto o atual presidente busca consolidar sua permanência no cargo até 2031 focando em nações com menor poder econômico, o comando do futebol europeu mantém uma postura crítica em relação à governança vigente.
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, afastou qualquer possibilidade de ser um concorrente direto ao posto de Infantino. Em declarações recentes ao podcast The Rest Is Politics: Leading, o dirigente esloveno reforçou que, embora não pretenda suceder o atual mandatário, acredita na viabilidade de uma candidatura de oposição durante o pleito agendado para março do próximo ano.
Disputa política e o futuro da governança na Fifa
A tensão entre as entidades escalou após a proposta, posteriormente descartada, de criar um órgão comercial para gerir direitos de torneios e negociar 20% de participação com investidores privados. A Uefa, contando com o suporte das confederações da Ásia (AFC) e da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), lidera o movimento de contestação. Fontes indicam que existe, inclusive, a articulação de um possível voto de desconfiança contra a atual gestão antes das eleições.
Ceferin argumenta que a legitimidade de Infantino está sob questionamento, não apenas no âmbito dos votos das federações, mas também perante a comunidade global do esporte, incluindo jogadores, treinadores e torcedores. O distanciamento entre os dois líderes é evidente, com o presidente da Uefa afirmando não ter mantido contato com o dirigente suíço desde o agravamento da crise institucional.
Estratégia de Infantino e o foco em federações menores
Em contrapartida, Gianni Infantino mantém o curso de sua campanha, ocupando o cargo desde 2016 e apostando na capilaridade de seu apoio junto às federações nacionais menos favorecidas. Durante uma visita à República Dominicana, onde se reuniu com membros da União de Futebol do Caribe (CFU), o presidente enfatizou que a missão central da entidade é reduzir o abismo financeiro entre os países membros.
O plano de Infantino envolve o fortalecimento do futebol em cada um dos 211 países filiados, prometendo ampliar o acesso a recursos e oportunidades de investimento. Para sustentar sua base, o dirigente tem buscado dialogar diretamente com as federações individuais, contornando, em diversos momentos, a hierarquia das confederações regionais, especialmente em regiões como a África e a América do Sul, onde mantém apoio estratégico.
Para acompanhar os desdobramentos desta crise na gestão do esporte mundial, consulte as atualizações oficiais através da Fifa.
Fonte: uol.com.br

































