A trajetória de Félix Miélli Venerando na Seleção Brasileira é frequentemente lembrada por injustas críticas que marcaram sua carreira. No entanto, por trás da imagem de atleta contestado, existia um homem que carregava o peso de uma narrativa cruel, especialmente dentro de sua própria casa. Durante a Copa do Mundo de 1970, no México, o goleiro viveu um momento de redenção pessoal que transcendeu o futebol, transformando uma dúvida infantil em um grito de orgulho nacional.
O peso de uma pergunta no México
Tudo começou com uma ligação telefônica vinda do Brasil. Lígia, filha caçula de Félix, então com sete anos, questionou o pai sobre o apelido de “frangueiro” que recebia de colegas na escola. A criança, confusa com as críticas que ouvia sobre o desempenho do pai, buscava uma explicação que aliviasse seu sofrimento. O goleiro, concentrado em Guanajuato, respondeu com ternura, inventando uma história sobre seu passado em uma padaria na Mooca, onde assava frangos, para desviar o foco da pressão esportiva.
A estratégia para o contato com a família
A comunicação com o Brasil era um desafio logístico e financeiro na época. Um dia antes da final contra a Itália, Félix obteve números de telefone estratégicos com o jornalista Oldemário Touguinhó. Determinado a falar com a família, ele anotou os contatos na parte interna de seu uniforme. O objetivo era claro: realizar uma ligação assim que o árbitro encerrasse a partida que consagraria o Brasil como tricampeão mundial.
O grito de campeão que silenciou as críticas
Nos minutos finais da decisão no Estádio Azteca, com a vitória por 4 a 1 garantida, o pensamento de Félix já estava longe do gramado. Assim que o apito final soou, ele correu para os vestiários em busca de um telefone. Ao conseguir a conexão com o Rio de Janeiro, sua prioridade absoluta foi falar com a pequena Lígia. O goleiro, aos prantos, pediu que a filha contasse aos amigos que seu pai não era um “frangueiro”, mas sim um campeão do mundo.
O legado de um herói injustiçado
A história de Félix guarda semelhanças amargas com a de Barbosa, o goleiro de 1950. Enquanto um foi crucificado pela derrota, o outro sofreu com a pecha de ter conquistado o título “apesar” de sua presença. Essa narrativa, repetida por anos, causou dores profundas ao atleta até sua morte, ocorrida em 23 de agosto de 2012. O desejo final de Félix era simples: que o reconhecimento de seu papel na conquista de 1970 fosse, finalmente, desvinculado das críticas infundadas que o perseguiram por décadas. Para mais detalhes sobre a história do futebol, consulte o UOL.
Fonte: uol.com.br

































