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A desilusão de um torcedor com a transformação do São Paulo Futebol Clube

A desilusão de um torcedor com a transformação do São Paulo Futebol Clube

O cronista e sociólogo Rogério Baptistini anunciou, em 15 de agosto de 2026, o encerramento de sua relação afetiva e de expectativa com o São Paulo Futebol Clube. Após seis décadas de acompanhamento fervoroso, o autor declara que a instituição, tal como a conhecia, deixou de existir, dando lugar a um modelo de gestão e comportamento que, segundo ele, esvazia o significado histórico e popular do esporte.

O impacto do capitalismo financeiro na identidade do futebol

Para o autor, a transformação do esporte em um produto estritamente comercial é a principal causa do distanciamento entre o clube e sua base de torcedores. A ascensão do conceito de futebol empresa, amplificado por grandes conglomerados de mídia, teria confinado a prática esportiva a uma lógica de entretenimento televisivo, distanciando o jogo de suas raízes populares e de sua função social original.

Essa mudança estrutural, segundo a análise, teria substituído a entrega emocional dos atletas por uma postura performática, assemelhada a atores de televisão. O foco atual na busca por engajamento digital e riqueza financeira teria se sobreposto ao compromisso com a camisa e com a conexão genuína com a torcida, elementos que, historicamente, sustentavam a identidade do São Paulo.

A memória contra o esquecimento do fenômeno esportivo

O ponto de ruptura definitivo ocorreu após o empate por 1 a 1 entre São Paulo e Coritiba, realizado no estádio do Morumbi. A experiência de assistir à partida por um canal pago serviu como catalisador para a percepção de que o fenômeno esportivo que moldou sua juventude foi substituído por uma realidade que ele não reconhece mais como autêntica.

O autor estabelece um paralelo entre a perda da essência do futebol e a preservação da memória histórica. Citando o escritor Milan Kundera, ele argumenta que o esforço de manter vivas as lembranças dos ídolos do passado — como Valdir Peres, Serginho e Zé Sérgio — é uma forma de resistência contra o esquecimento. Para ele, a ausência de uma narrativa que conecte o torcedor ao espetáculo é um sintoma da perda de valores fundamentais na sociedade contemporânea.

Para mais reflexões sobre o cenário esportivo brasileiro, acompanhe as análises publicadas pelo UOL.

Fonte: uol.com.br

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