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Obras de Antonello da Messina são furtadas de museu na Sicília durante feriado

Obras de Antonello da Messina são furtadas de museu na Sicília durante feriado

O furto de obras renascentistas no Museu Regional de Messina

O Museu Regional de Messina (MuMe), localizado na Sicília, sul da Itália, foi alvo de uma ação criminosa audaciosa no último sábado. Durante as celebrações do Ferragosto, feriado que marca a Festa da Assunção da Virgem Maria, ladrões conseguiram burlar os sistemas de segurança da instituição por volta das 22h para subtrair pinturas de valor inestimável do artista renascentista Antonello da Messina.

O prejuízo cultural é considerado imensurável pelas autoridades locais. Entre os itens levados estão três dos cinco painéis remanescentes do “Políptico de San Gregorio”, concluído pelo mestre em 1473, além de um pequeno painel pintado em ambos os lados que estava protegido por uma vitrine blindada. A diretora do museu, Marisa Mercurio, classificou o episódio como uma perda devastadora para a comunidade internacional das artes.

Impacto cultural e estimativas financeiras

Embora o valor financeiro oficial ainda não tenha sido divulgado, estimativas iniciais sugerem que as obras podem valer entre 70 milhões e 80 milhões de euros. A relevância econômica das peças de Antonello foi reforçada em março deste ano, quando o governo italiano desembolsou 13 milhões de euros para adquirir outra obra do artista, datada de aproximadamente 1460.

As pinturas furtadas possuem um histórico de resiliência, tendo sobrevivido ao terremoto de 1908, que destruiu o Mosteiro de San Gregorio, local original do retábulo. O prefeito de Messina, Federico Basile, lamentou que o crime tenha ocorrido justamente durante um período de festividades religiosas, intensificando o sentimento de pesar na cidade.

Contexto histórico de Antonello da Messina

Nascido por volta de 1430, Antonello da Messina é uma figura central na história da arte europeia. O pintor foi responsável por difundir técnicas flamengas de pintura a óleo pelo sul do continente e por integrar princípios da perspectiva italiana em suas criações. Sua trajetória artística, que incluiu passagens por Nápoles antes de retornar à sua cidade natal em 1457, consolidou seu legado como o mais importante pintor siciliano.

As peças que compunham o conjunto preservado no MuMe incluíam a “Madona do Rosário Entronizada” e representações dos santos Gregório e Bento. Durante a ação, os criminosos chegaram a retirar outros dois painéis da parede, mas acabaram abandonando as peças nas proximidades do museu, possivelmente devido à dificuldade de transporte ou interrupção da ação.

Vulnerabilidade e histórico de crimes contra a arte

Especialistas apontam que museus frequentemente enfrentam desafios com sistemas de segurança obsoletos, tornando-se alvos atraentes para organizações criminosas. Embora obras de arte de tal magnitude sejam de difícil comercialização no mercado legítimo, elas são frequentemente utilizadas como moeda de troca ou garantia em negociações ilícitas no submundo do crime.

O caso evoca memórias de um dos furtos mais notórios da história da Sicília: o desaparecimento da “Natividade com São Francisco e São Lourenço”, de Caravaggio, ocorrido há mais de meio século em Palermo. Aquela obra, que esteve exposta por mais de 300 anos, nunca foi recuperada, servindo como um alerta sobre a fragilidade do patrimônio cultural diante da criminalidade organizada. Mais informações podem ser consultadas no portal Deutsche Welle.

Fonte: terra.com.br

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