A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) vive um momento de instabilidade institucional após uma decisão monocrática do presidente do Conselho de Ética da entidade, Gustavo Lopes Pires de Souza, resultar no afastamento temporário de toda a diretoria eleita. O episódio, deflagrado por uma denúncia anônima, gerou um embate jurídico que culminou na intervenção do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que reverteu o ato na última quinta-feira (13).
A cúpula da confederação classificou a manobra como uma conspiração orquestrada. Segundo o presidente da CBTM, Vilmar Schindler, a rapidez com que a denúncia foi processada — em menos de 12 horas, sem direito à ampla defesa ou investigação prévia — levanta preocupações sobre a segurança jurídica das entidades esportivas brasileiras. A gestão eleita permanece no cargo, embora o processo ainda esteja sujeito a recursos.
Afastamento sumário e questionamentos sobre governança
O afastamento dos administradores por 30 dias foi determinado sem que houvesse qualquer ato de apuração formal dos fatos relatados na denúncia. A diretoria da CBTM sustenta que a decisão baseou-se em dispositivos inexistentes no Regimento Interno do Conselho de Ética, ignorando os ritos de governança que exigiriam a análise prévia do Conselho de Administração da entidade.
Geraldo Campestrini, integrante da gestão, reforçou que a forma como o processo foi conduzido carece de amparo estatutário. Para a diretoria, o uso do Conselho de Ética como instrumento de poder político desvirtua a finalidade do órgão, que deveria atuar como um guardião da integridade institucional e não como um agente de instabilidade administrativa.
O papel do interventor e as conexões políticas
A decisão de Gustavo Souza nomeou o advogado Marcelo Jucá como interventor, o que gerou estranheza interna. Jucá prestou serviços jurídicos à CBTM entre 2008 e 2025 e foi o responsável por indicar o próprio Gustavo Souza ao cargo de presidente do Conselho de Ética em 2021. Essa rede de conexões é apontada pela atual gestão como um indício da natureza política da movimentação.
Em resposta, Marcelo Jucá afirmou que as acusações contidas na denúncia sob sigilo são gravíssimas e exigem transparência, especialmente no que tange ao manejo de verbas públicas. O advogado defendeu a necessidade de uma investigação profunda, negando que sua atuação tenha fins políticos e reiterando que a apuração dos fatos é essencial para o futuro da confederação.
Contexto de transição e o futuro da entidade
O cenário de tensão ocorre em um período de transição na CBTM. Vilmar Schindler assumiu a presidência em janeiro deste ano, com mandato previsto até dezembro de 2028, sucedendo Alaor Azevedo, que comandou a entidade por quase três décadas. A nova gestão busca consolidar mudanças internas e reforçar a transparência, após o afastamento de Alaor do cargo de assessor especial em março, por recomendação do Ministério do Esporte.
Apesar da decisão favorável do STJD, a diretoria da CBTM planeja revisar seus regulamentos internos para evitar novas crises. O objetivo é fortalecer a independência do Conselho de Ética e estabelecer critérios mais rígidos para a nomeação de seus membros, garantindo que a governança esportiva não seja instrumentalizada por interesses particulares. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas pelo portal UOL.
Fonte: uol.com.br


































