O Hotel Ryugyong, com sua imponente silhueta em formato de pirâmide, domina o horizonte de Pyongyang como um dos projetos arquitetônicos mais enigmáticos do século XX. Com 330 metros de altura e 105 andares, o edifício foi concebido para ser o maior complexo hoteleiro do mundo, mas permanece até hoje como um monumento inacabado que nunca abriu suas portas para o público.
Origem e ambições da construção na Guerra Fria
A construção do arranha-céu teve início em 1987, em um período marcado pela intensa disputa política e econômica entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. O projeto ambicioso visava demonstrar a capacidade industrial e a força do regime norte-coreano, prevendo uma estrutura de uso misto que incluiria cerca de 3.700 quartos, além de diversos restaurantes e espaços comerciais espalhados por 360 mil metros quadrados de área construída.
A previsão inicial era que o hotel estivesse concluído no início dos anos 1990. No entanto, o cronograma foi drasticamente afetado por mudanças no cenário geopolítico global. Segundo dados do Council on Vertical Urbanism, a interrupção das obras em 1992 foi um reflexo direto da grave crise econômica que assolou o país após a dissolução da União Soviética, privando o projeto de recursos essenciais para sua finalização.
O longo período de abandono e o estado atual
Após a paralisação das atividades no canteiro de obras, o edifício permaneceu por mais de uma década como uma estrutura de concreto bruta, sem janelas ou qualquer acabamento interno. A imagem do esqueleto de concreto tornou-se um símbolo global de um projeto que, embora tenha atingido a altura planejada, falhou em cumprir sua função operacional básica.
Nas décadas seguintes, tentativas de revitalização foram observadas, incluindo a instalação de painéis de vidro na fachada, que conferiram ao prédio uma aparência mais moderna. Apesar dessas intervenções externas, o interior permanece inacabado e o hotel nunca recebeu um único hóspede oficial, mantendo-se como um dos maiores mistérios da engenharia civil moderna e um lembrete das complexidades políticas que cercam a infraestrutura na Coreia do Norte.
Fonte: terra.com.br


































