O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta um momento de intensa pressão política após a tentativa frustrada de criar uma estrutura comercial para gerir participações em competições da entidade. Em busca de consolidar sua base de apoio para a eleição presidencial prevista para março de 2027, no Marrocos, o dirigente estaria utilizando promessas estratégicas para garantir a fidelidade de membros influentes.
Segundo informações publicadas pelo jornal espanhol Marca, Infantino teria sinalizado à Federação Mexicana de Futebol (FMF) a possibilidade de facilitar a transferência do México da Concacaf para a Conmebol. Essa manobra seria uma contrapartida direta pelo apoio da federação mexicana à sua permanência no cargo máximo do futebol mundial.
Desafios estruturais e diplomáticos na mudança de confederação
A transição do México para a confederação sul-americana é um processo complexo que transcende a vontade política individual. A viabilização dessa mudança exigiria o aval formal da Concacaf, da Conmebol e das instâncias superiores da Fifa, incluindo o Conselho e o Congresso da entidade.
Além dos entraves burocráticos, a FMF precisaria renegociar contratos comerciais robustos. Atualmente, a seleção mexicana mantém acordos lucrativos para a realização de amistosos nos Estados Unidos, um mercado fundamental que atrai grandes públicos e sustenta parte da receita da equipe nacional.
Isolamento político e a resistência das confederações
A aproximação entre Infantino e a FMF gerou um efeito de distanciamento entre a federação mexicana e seus pares na Concacaf. Recentemente, um comunicado conjunto emitido pela UEFA, pela AFC e pela própria Concacaf solicitou publicamente a renúncia do presidente da Fifa, citando a necessidade de reformas urgentes na governança da instituição.
Entidades como a U.S. Soccer, a Canada Soccer, a CFU e a UNCAF reforçaram o coro por mudanças, defendendo maior transparência e prestação de contas. Em resposta, a FMF adotou uma postura de alinhamento com o atual comando, declarando que não reconhecerá processos eleitorais que fujam do calendário oficial estabelecido para 2027.
A estratégia do México na Conmebol
A ideia de integrar a Conmebol é debatida há anos no cenário esportivo mexicano. O ingresso permitiria confrontos regulares contra potências como Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia, o que elevaria o nível competitivo da seleção nacional.
O retorno dos clubes mexicanos à Libertadores também é visto como um atrativo comercial e esportivo. Entre 1998 e 2016, equipes como Cruz Azul, Chivas e Tigres alcançaram finais da competição, consolidando uma história de sucesso que, segundo o portal Inside World Football, poderia ser complementada pela promessa de sediar o Mundial de Clubes de 2029.
Fonte: gazetaesportiva.com

































