O avanço das negociações envolvendo a possível criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santos Futebol Clube gerou um movimento de resistência interna. Um grupo composto por 37 conselheiros do clube manifestou publicamente, nesta segunda-feira (10), profunda preocupação com os termos e o cronograma da proposta apresentada pela SDC Sports, que planeja adquirir 80% do futebol alvinegro.
A iniciativa, que prevê um investimento de R$ 1 bilhão e a assunção de dívidas em montante superior a R$ 1 bilhão, enfrenta barreiras políticas e estatutárias. Atualmente, o estatuto do clube limita a alienação de ativos do futebol a até 49%, o que exigiria uma alteração nas normas internas para viabilizar o modelo proposto pelos investidores norte-americanos.
Questionamentos sobre a viabilidade e o momento da transição
O ponto central da discórdia reside no período em que a negociação ocorre. Com as eleições presidenciais agendadas para dezembro, os conselheiros argumentam que a atual gestão não possui legitimidade para conduzir uma mudança estrutural de tamanha magnitude nos meses finais de seu mandato. O grupo classificou a movimentação como uma tentativa de resolver questões financeiras imediatas sem o devido debate com a base associativa.
Em nota oficial, os signatários destacaram que a transformação em SAF deve ser tratada com transparência e exaustão de diálogo. Eles reforçaram que não se opõem ao modelo de negócio por princípio, desde que a proposta seja condizente com a história e a grandeza da instituição, e não apenas uma solução emergencial para o encerramento da atual administração.
Exigência de transparência e debate com associados
A proposta da SDC Sports deve ser detalhada ao Conselho Deliberativo em uma reunião extraordinária marcada para o próximo dia 31 de agosto. Até lá, o grupo de conselheiros promete manter uma postura de vigilância, convocando torcedores e associados para acompanhar de perto os desdobramentos do processo. A preocupação é que o clube seja colocado em uma situação irreversível sem a devida análise de riscos a longo prazo.
Os críticos da medida relembram que, nos últimos dois anos e meio, o endividamento do clube dobrou, o que alimenta o receio de que a SAF seja utilizada como um instrumento de salvamento contábil. A expectativa é que o encontro no final de agosto sirva como um termômetro para a viabilidade política do projeto, que exige ampla adesão para superar os entraves estatutários vigentes. Para mais informações sobre o cenário do futebol brasileiro, consulte o portal UOL Esporte.
Fonte: uol.com.br


































