A estrutura interna da Fifa enfrenta um momento de turbulência sem precedentes após o surgimento de planos para a privatização de ativos estratégicos da entidade. Nesta sexta-feira, o presidente da organização, Gianni Infantino, tornou-se alvo de críticas severas por parte de Kevin Lamour, diretor de operações da instituição, que classificou as recentes propostas de venda da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes como uma iniciativa isolada e unilateral.
Tensões internas e o projeto de gestão de Infantino
A declaração de Kevin Lamour, divulgada pela agência Associated Press, expõe uma ruptura profunda no alto escalão da entidade máxima do futebol. O executivo afirmou categoricamente que as mudanças planejadas representam um “projeto de uma só pessoa”, sugerindo que a liderança de Gianni Infantino tem ignorado os processos institucionais e a transparência esperada pelos funcionários da federação.
O descontentamento não se limita apenas a Kevin Lamour. O cenário de instabilidade foi agravado pela renúncia de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores do presidente, que deixou seu posto em protesto direto contra as intenções de comercialização dos torneios. A saída de um aliado próximo sinaliza que a resistência às medidas de Infantino está crescendo dentro da própria estrutura de poder da Fifa.
Riscos de boicote e pressão política
Além da crise administrativa interna, a estratégia de vender participações em competições globais enfrenta forte oposição externa. A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, já manifestou seu descontentamento e ameaçou promover um boicote aos futuros torneios caso a Fifa prossiga com a venda de fatias de seus eventos mais lucrativos.
A pressão sobre o comando da Fifa coloca em xeque a governança da instituição. Kevin Lamour destacou que é o momento de os líderes políticos do futebol reavaliarem a condução da entidade e tomarem decisões que preservem a integridade do esporte, afastando-se de propostas que priorizam o capital privado em detrimento da tradição das competições.
Posicionamento e futuro do executivo
Ao se manifestar publicamente contra o plano, Kevin Lamour demonstrou estar ciente das possíveis consequências profissionais de sua postura. O diretor afirmou que não teve qualquer envolvimento na elaboração da proposta e que se opõe a ela de forma inequívoca, independentemente de seu futuro na organização.
O executivo declarou que, caso a exposição de sua discordância resulte em seu desligamento, ele aceitará a decisão com tranquilidade. A postura de Lamour reforça a gravidade do impasse, evidenciando que a gestão de Gianni Infantino enfrenta um desafio crítico de legitimidade frente a seus próprios quadros executivos e aos parceiros internacionais do futebol.
Fonte: gazetaesportiva.com


































