A estrutura de governança da Fifa enfrenta um momento de instabilidade acentuada após a renúncia de Carlos Cordeiro, assessor-sênior do presidente Gianni Infantino. O desligamento, ocorrido nesta sexta-feira, foi motivado por uma divergência fundamental em relação aos planos da entidade de comercializar fatias de participação na Copa do Mundo, o principal ativo financeiro do futebol global.
Crítica técnica sobre a viabilidade financeira da proposta
Com uma trajetória consolidada de mais de 35 anos no setor bancário, Carlos Cordeiro utilizou sua experiência para questionar a lógica econômica por trás da oferta. Em declaração oficial à emissora Sky News, o ex-conselheiro classificou a tentativa de arrecadar US$ 4,2 bilhões através da venda de uma participação permanente como um erro estratégico grave.
Para o executivo, a medida representa um risco de hipotecar o futuro do esporte sem uma justificativa que sustente a sustentabilidade a longo prazo. Cordeiro, que anteriormente presidiu a Federação de Futebol dos Estados Unidos e atuou como conselheiro na Força-Tarefa da Casa Branca sob nomeação de Donald Trump, enfatizou que não participou da elaboração da proposta e que sua posição é de oposição inequívoca ao projeto.
Resistência global e oposição das confederações
A saída de Cordeiro ocorre em um cenário de pressão crescente exercida por diversas entidades continentais. A Uefa, em uma decisão unânime tomada na última quinta-feira, declarou que suas 55 federações filiadas boicotarão competições da Fifa caso a proposta de venda permaneça em pauta. O movimento ganhou tração com o apoio formal da AFC e da Concacaf.
Essa coalizão de oposição, que soma 143 federações entre Europa, Ásia e América do Norte e Central, coloca em xeque a governabilidade da entidade. Para que a proposta seja aprovada, a Fifa necessitaria de 106 votos entre seus 211 membros, um patamar que parece cada vez mais distante diante da articulação contrária das confederações.
Posicionamento da entidade frente ao impasse
Apesar da repercussão negativa e da perda de um nome estratégico em seu corpo de assessores, a Fifa mantém a postura de continuidade. Em comunicado oficial, a instituição informou que pretende seguir com o cronograma de consultas planejado para discutir a viabilidade de negociar fatias da Copa do Mundo.
O impasse coloca Gianni Infantino em uma posição delicada, equilibrando a necessidade de novas fontes de receita com a preservação da unidade política da organização. A renúncia de Cordeiro, contudo, serve como um sinal claro de que a resistência interna e externa ao modelo de negócio proposto pode ser o maior obstáculo para a concretização dos planos da presidência. Para mais detalhes sobre o cenário esportivo, acompanhe a cobertura completa em Gazeta Esportiva.
Fonte: gazetaesportiva.com































