A decisão do BTS de não submeter o álbum ARIRANG à avaliação da Academia da Gravação para o Grammy 2027 expõe uma tensão histórica entre a indústria fonográfica norte-americana e o fenômeno global do K-Pop. Em 68 anos de história, a premiação reconheceu o gênero apenas uma vez, fato que motiva o protesto do septeto sul-coreano. A resistência do grupo em participar da cerimônia reflete um descontentamento crescente com a forma como a música produzida na Coreia do Sul é tratada pelos votantes.
Histórico de exclusão e a busca por reconhecimento
O BTS, maior expoente do gênero, nunca conquistou um gramofone, apesar de ter acumulado cinco indicações ao longo de sua trajetória. Entre as categorias em que o grupo competiu estão melhor performance pop de dupla ou grupo, melhor clipe e álbum do ano, esta última através de uma colaboração com o Coldplay. O desejo de ser reconhecido pela qualidade artística, e não apenas pelo sucesso comercial, sempre foi um pilar central para os integrantes.
A polêmica criação da categoria de música pop asiática
Para a edição de 2027, a Academia da Gravação anunciou a criação da categoria Melhor Performance de Música Pop Asiática e convidou grupos como Stray Kids e TWICE para integrar o corpo de votantes. A medida é vista por críticos como uma tentativa de conter o engajamento massivo dos fãs e garantir a presença de estrelas globais no evento. No entanto, o movimento foi interpretado por muitos como uma forma de segregação artística.
Posicionamento do BTS contra a categorização regional
Em comunicados oficiais publicados no Instagram, os sete membros do grupo foram enfáticos sobre a recusa em participar do processo seletivo. Eles afirmaram que esperam que sua música seja ouvida e valorizada pelo que é, sem a necessidade de ser limitada por rótulos de região ou idioma. O grupo entende que a criação de uma categoria específica para o K-Pop, embora pareça um avanço, acaba por isolar o gênero das disputas principais.
Comparação com outros gêneros e a soberania do mercado
O Grammy já mantém divisões para música latina, africana e regional mexicana, além da categoria de world music, onde nomes como Caetano Veloso e Maria Bethânia foram premiados recentemente. Contudo, a ascensão do K-Pop em categorias centrais, como ocorreu com Rosé, do BLACKPINK, e o filme Guerreiras do K-Pop, parece ter gerado um desconforto na classe artística norte-americana. A ameaça à soberania de artistas locais pode ter acelerado a decisão da Academia de confinar o K-Pop em um nicho específico, conforme aponta a análise do POPline.
Fonte: terra.com.br


































