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Transparência na FIFA: ex-porta-voz da ONU pede cautela em votação de projeto bilionário

Transparência na FIFA: ex-porta-voz da ONU pede cautela em votação de projeto bilionário

Hervé Verhoosel, ex-porta-voz e diretor de comunicação de diversas agências das Nações Unidas, emitiu um apelo urgente às 211 associações-membro da FIFA. Ele as exorta a não votarem na proposta da FIFA Forward Enterprise, um projeto avaliado em US$ 20 bilhões, antes de receberem todas as informações essenciais. O pedido de Verhoosel, divulgado após a publicação de artigos de opinião em doze veículos de comunicação globais, sublinha a preocupação com pressões políticas e comerciais que poderiam comprometer a integridade do futebol mundial.

A iniciativa da FIFA, anunciada em 28 de julho, visa consolidar direitos de transmissão, patrocínio, venda de ingressos e licenciamento, além da organização operacional de suas competições. A nova empresa buscaria captar até US$ 4,2 bilhões de investidores minoritários, com uma avaliação inicial ambiciosa. Contudo, a maneira como a proposta foi apresentada levanta sérias questões sobre a transparência e a legitimidade do processo decisório.

Alerta sobre a proposta da FIFA Forward Enterprise

A FIFA Forward Enterprise representa uma reestruturação significativa na forma como a entidade gerencia seus ativos comerciais e operacionais. Com uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões, a empresa planeja atrair até US$ 4,2 bilhões de investidores externos. Este movimento, segundo Verhoosel, foi articulado de forma a buscar a aprovação das federações apenas após os pontos essenciais já terem sido negociados.

O ex-porta-voz da ONU argumenta que a consulta às associações-membro deveria preceder a estruturação do projeto, e não o contrário. Ele enfatiza que a apresentação de um projeto com nome, avaliação, banco assessor e investidor designado antes da votação das federações descaracteriza o processo de consulta, transformando-o em uma mera ratificação de decisões já tomadas.

Preocupações com influência política e falta de consulta

Uma das maiores preocupações levantadas por Hervé Verhoosel reside na potencial influência política sobre o projeto. A Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro do ex-presidente dos EUA, Donald Trump), está cotada para liderar o grupo de investidores. Embora não haja evidências diretas de interferência de Trump na operação, Verhoosel destaca que a relação exige um nível de transparência que, até o momento, não foi demonstrado.

Essa preocupação é amplificada por um incidente envolvendo o jogador americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo, quando Donald Trump admitiu ter contatado pessoalmente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para solicitar a revisão de uma suspensão. A suspensão foi posteriormente revogada, embora a FIFA tenha afirmado que Infantino não participou da decisão disciplinar. Para Verhoosel, este episódio confunde as fronteiras entre influência política e decisões esportivas, exigindo um compromisso público dos governos de não usar sua influência para persuadir as federações a apoiar o projeto.

O apelo financeiro e o risco à independência do futebol

A proposta da FIFA inclui um incentivo financeiro substancial que pode ser difícil de ser ignorado pelas federações. A organização propõe aumentar o financiamento do programa Forward para cada federação de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões para o ciclo de 2027-2030. Além disso, um financiamento extraordinário e voluntário de até US$ 20 milhões seria oferecido através do novo programa Fast Forward.

Verhoosel reconhece que as necessidades financeiras de muitas federações são reais, e que esses recursos poderiam ser utilizados para o desenvolvimento do futebol de base, feminino, infraestrutura e centros de treinamento. No entanto, ele adverte que o dinheiro não deve ser o preço do consentimento, e que o voto das federações nunca deve parecer estar à venda. A introdução de capital privado e a pressão por crescimento financeiro na estrutura comercial e operacional das competições da FIFA podem, a longo prazo, custar ao futebol muito mais do que um quinto de sua independência, transformando jogadores, seleções e torcedores em instrumentos desse crescimento.

Exigência de transparência e processo competitivo

Diante desse cenário, Hervé Verhoosel insta as federações a exigirem uma série de documentos e informações cruciais. Isso inclui detalhes sobre o projeto, o método de avaliação, informações sobre contatos existentes com investidores, outras propostas consideradas e os critérios utilizados para identificar a Thrive Eternal como parceira. Ele também defende a busca por aconselhamento independente e, caso o investimento privado seja mantido, um processo internacional verdadeiramente aberto e competitivo.

O ex-porta-voz da ONU sugere que as federações deveriam ter discutido o princípio do investimento privado primeiro. Se aceito, a FIFA poderia então ter iniciado um processo aberto para encontrar os melhores parceiros, em vez de apresentar um parceiro já definido antes mesmo da decisão dos membros. Ele conclui com um forte apelo: “Peçam tempo. Peçam os documentos. Busquem aconselhamento independente.” As federações devem consultar seus jogadores, clubes, ligas e membros, e não permitir que a urgência, o dinheiro ou a pressão política decidam o futuro do futebol. Saiba mais sobre o cenário do futebol internacional.

Fonte: uol.com.br

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