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Ancelotti e Haaland: o histórico de estratégias do técnico para neutralizar o atacante

Ancelotti e Haaland: o histórico de estratégias do técnico para neutralizar o atacante

O reencontro entre o técnico Carlo Ancelotti e o atacante Erling Haaland, agendado para o próximo domingo nas oitavas de final da Copa do Mundo, reacende o debate sobre as táticas defensivas empregadas pelo treinador italiano. Com um retrospecto de oito confrontos diretos ao longo de sua carreira, Ancelotti desenvolveu abordagens específicas para tentar conter o impacto do prolífico artilheiro norueguês. Esses duelos ocorreram enquanto Ancelotti comandava Real Madrid e Napoli, e Haaland defendia as cores de Manchester City e Red Bull Salzburg.

Ao longo desses oito embates, Ancelotti registrou duas vitórias, quatro empates e duas derrotas. A análise dessas partidas oferece um panorama claro das filosofias defensivas que o técnico prioriza ao enfrentar um dos atacantes mais temidos do futebol mundial. As estratégias variaram, mas sempre mantiveram um foco central na organização coletiva e na anulação dos pontos fortes de Haaland.

A filosofia da defesa coletiva e a anulação do time

A abordagem de Carlo Ancelotti para conter Haaland sempre transcendeu a marcação individual. O técnico italiano enfatizou repetidamente que seu plano de jogo visa neutralizar a equipe adversária como um todo, e não apenas um jogador específico. Esta filosofia foi claramente articulada antes da semifinal da Liga dos Campeões de 2023, quando o Real Madrid enfrentou o Manchester City.

Ancelotti explicou que focar exclusivamente em Haaland seria um erro, pois o Manchester City possui uma constelação de talentos capazes de decidir partidas. Ele reconheceu a periculosidade do norueguês, descrevendo-o como “incrivelmente impressionante” na finalização. No entanto, a estratégia principal era dificultar a construção de jogo do City, impedindo que a bola chegasse em condições favoráveis ao camisa 9. Essa visão holística da defesa busca desorganizar o fluxo ofensivo do adversário, limitando as oportunidades para todos os seus atacantes.

Rüdiger e a marcação física: um duelo chave

Embora a defesa coletiva seja a espinha dorsal da estratégia de Ancelotti, a atribuição de um marcador específico para os duelos físicos com Haaland foi uma tática recorrente. Em diversas ocasiões, o zagueiro Antonio Rüdiger foi o escolhido para essa tarefa. Sua força física e capacidade de antecipação foram cruciais para limitar o espaço e o tempo de reação do atacante norueguês.

Na semifinal da Liga dos Campeões de 2023, por exemplo, a imprensa inglesa, incluindo o The Guardian, elogiou a eficácia da marcação do Real Madrid, destacando que Haaland recebeu poucas bolas em condições de finalizar. Rüdiger, com o apoio constante dos companheiros, conseguiu anular grande parte das investidas do atacante. Mesmo quando o zagueiro alemão foi preterido em jogos posteriores, sua atuação anterior demonstrou a importância de um defensor capaz de travar esses duelos diretos, sempre com a cobertura defensiva como pilar.

Adaptações táticas e os resultados dos confrontos

Os confrontos entre as equipes de Ancelotti e Haaland revelaram a capacidade de adaptação do treinador italiano. Em jogos como o empate por 1 a 1 na semifinal da Champions de 2023, a estratégia de marcação funcionou para conter o norueguês. Contudo, em outras partidas, como a goleada por 4 a 0 sofrida pelo Real Madrid no jogo de volta da mesma semifinal, a ausência de Rüdiger e a força do coletivo do Manchester City se impuseram, mesmo com Haaland não sendo o protagonista direto.

Na temporada seguinte, em 2024, Ancelotti voltou a escalar Rüdiger para a marcação de Haaland, e a estratégia de duelos físicos e cobertura se repetiu. Embora o norueguês tenha tido participação limitada, o Manchester City encontrou outros caminhos para o gol, resultando em um empate por 3 a 3. A tática de bloco baixo e linhas compactas, semelhante à utilizada pelo Arsenal contra o City, também foi empregada com sucesso, como na vitória do Real Madrid nos pênaltis nas quartas de final da Liga dos Campeões de 2024, onde Haaland novamente teve uma atuação discreta. Ancelotti descreveu a abordagem como uma “questão de sobrevivência” contra a potência do time de Pep Guardiola.

O desafio persistente e a preparação para o futuro

Apesar dos esforços de Ancelotti, o desafio de anular Haaland é constante. Por um período, o atacante norueguês não havia conseguido marcar ou dar assistências contra as equipes do italiano, um feito notável que o jornal Diário As chegou a classificar como a luta de “Asencio contra Golias”, referindo-se ao plano “antiHaaland”. No entanto, em um confronto pelos playoffs da Liga dos Campeões de 2025, Haaland finalmente balançou as redes duas vezes contra o Real Madrid, incluindo um gol de pênalti, quebrando essa sequência.

Este histórico demonstra que, embora as estratégias de Ancelotti tenham sido eficazes em diversas ocasiões para limitar a influência de Haaland, o atacante possui a capacidade de encontrar o caminho do gol. O próximo duelo entre Brasil e Noruega será mais um teste para a capacidade tática do treinador, que provavelmente manterá sua filosofia de defesa coletiva, mas com a flexibilidade de adaptar a marcação para tentar conter o “Cometa” norueguês.

Fonte: ge.globo.com

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