Home / ESPORTES / Catanduvense: a campanha desastrosa na Segunda Divisão e as denúncias de um ex-executivo

Catanduvense: a campanha desastrosa na Segunda Divisão e as denúncias de um ex-executivo

Catanduvense: a campanha desastrosa na Segunda Divisão e as denúncias de um ex-executivo

O Grêmio Catanduvense encerrou sua participação na Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 2026 de forma notavelmente negativa, protagonizando um dos capítulos mais desafiadores na história recente do futebol paulista. Com um desempenho desastroso de 10 jogos, 10 derrotas, apenas três gols marcados e impressionantes 59 gols sofridos, o clube registrou a pior campanha da quinta divisão do Estadual. Este cenário foi agravado por uma goleada de 17 a 0 para o Independente de Limeira, marcando a maior goleada já registrada no futebol profissional masculino de São Paulo.

A derrocada do clube, que já esteve na Série A-1 do Campeonato Paulista, levanta questionamentos sobre os bastidores de uma média de 5,9 gols sofridos por jogo na última divisão. Para lançar luz sobre os acontecimentos dentro e fora de campo, a Gazeta Esportiva conversou com Marcelo Silva, ex-atleta do Santos e ex-executivo de futebol do Grêmio Catanduvense, que revelou detalhes preocupantes sobre a gestão.

O Retorno e as Ambições Iniciais do Catanduvense

Marcelo Silva chegou ao Grêmio Catanduvense em janeiro de 2026, após ser contratado pelo presidente Sérgio Gomes. A aproximação entre os dois havia começado meses antes, com a promessa de um novo começo para o clube, que estava inativo no cenário profissional há cinco anos.

O ex-executivo via a oportunidade de usar seu conhecimento e rede de contatos no futebol para ajudar o clube a se reerguer. Seu objetivo inicial era duplo: auxiliar na captação de recursos e patrocínios, e, principalmente, na montagem de um elenco competitivo para a temporada.

Apesar de reconhecer que o clube partia do zero, Marcelo Silva almejava uma campanha digna. A meta era transformar a participação no campeonato em uma vitrine para os jogadores, visando futuras negociações com clubes da região, como Novorizontino, Mirassol e Botafogo de Ribeirão Preto.

Obstáculos na Montagem do Elenco e Dívidas

Entre fevereiro e março, Marcelo Silva dedicou-se à montagem do elenco em São Paulo, realizando peneiras e selecionando sete jogadores. Ele também conseguiu articular empréstimos de jovens atletas, com idades entre 19 e 21 anos, de clubes como Santos, São Caetano e Juventus, com parte dos salários custeados pelas equipes de origem.

Contudo, as propostas para esses reforços nunca avançavam. Marcelo Silva relata a resistência do presidente em aceitar os jogadores, mesmo com a vantagem de virem sem custo e possuírem a idade ideal para a competição, que permitia atletas de até 23 anos.

Além dos desafios na formação do time, o ex-executivo representou o clube em uma negociação crucial com a Federação Paulista de Futebol para quitar uma dívida de aproximadamente R$ 150 mil. Esse valor era uma condição para a participação do Catanduvense no campeonato, e foi reduzido para R$ 98 mil, parcelado em dez vezes. Foi durante essa reunião que Marcelo Silva começou a perceber a falta de credibilidade do presidente no mercado do futebol.

Caos Antes da Estreia e Acusações Graves

Às vésperas da estreia do Catanduvense no campeonato, Marcelo Silva visitou Catanduva pela primeira vez e deparou-se com uma situação alarmante. O presidente havia sido preso no fim de semana anterior, em decorrência de uma ocorrência de agressão doméstica. O alojamento do clube, projetado para 16 atletas, abrigava 27, com mais de dez jogadores dormindo na sala.

A situação contratual era ainda mais grave. Marcelo Silva descobriu que a maioria dos atletas havia entregue dinheiro ao presidente, valores que variavam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, sob a promessa de uma vaga no elenco profissional. Segundo o ex-executivo, “em 70% dos casos ou mais, ele havia pegado o dinheiro dos jogadores com a promessa de que eles assinariam o contrato para disputa do campeonato”.

Com o prazo de inscrições no BID se esgotando e apenas dois jogadores regularizados, Marcelo Silva passou a semana em Catanduva, esforçando-se para registrar o mínimo de atletas. Ele assegura ter pago as taxas de inscrição dos primeiros 11 jogadores do próprio bolso, afirmando que, sem sua intervenção, “o clube nem estaria no campeonato”.

O Comportamento do Presidente e o Desligamento

Após a saída da detenção, o comportamento do presidente Sérgio Gomes aprofundou a decepção de Marcelo Silva. O ex-executivo descreveu o presidente como um “sociopata”, que se vitimiza em todas as situações, lamentando e chorando mágoas.

Em 14 de abril, apenas quatro dias depois de o presidente ter deixado a prisão, o Grêmio Catanduvense publicou um comunicado oficial. O texto informava que Marcelo Silva não fazia mais parte do quadro de diretor executivo e, portanto, não possuía “qualquer vínculo de representação ou autorização para agir em nome do clube”.

A série de eventos culminou na pior campanha da história do futebol paulista profissional masculino, expondo graves problemas de gestão e ética nos bastidores do clube. Para mais informações sobre o futebol paulista, acesse a Gazeta Esportiva.

Fonte: gazetaesportiva.com

Marcado:

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

@PODCASTGARAGEM

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS

ÚLTIMOS POSTS