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Rios atmosféricos elevam alerta de tempestades no Sul do Brasil para o fim de semana.

Imagem gerada com IA

O Sul do Brasil se prepara para enfrentar um período de instabilidade climática, com a previsão de fortes tempestades, possibilidade de granizo e rajadas de vento intensas nos próximos dias. Este cenário de alerta é impulsionado por um fenômeno meteorológico conhecido como “rios atmosféricos”, que transporta grandes volumes de umidade e calor, criando condições propícias para eventos climáticos severos na região.

As autoridades meteorológicas emitiram avisos de perigo, indicando uma piora nas condições do tempo que deve se estender por vários dias. A compreensão desse fenômeno é crucial para entender a magnitude dos impactos esperados e a complexidade dos sistemas climáticos que afetam o continente.

Alerta de tempestades e o Jato de Baixos Níveis

A região Sul do Brasil, especialmente o estado do Rio Grande do Sul, incluindo sua capital, está sob aviso de perigo para tempestades. A expectativa é de chuvas intensas, acompanhadas de granizo e ventos que podem variar entre 60 e 100 km/h, conforme alertas de institutos nacionais de meteorologia.

Um dos principais fatores que contribuem para a intensificação dessas tempestades é o Jato de Baixos Níveis (JBN), frequentemente chamado de “rios atmosféricos” ou “rios voadores”. Este sistema consiste em uma corrente de ventos poderosa que atua no interior da América do Sul, em altitudes entre um e três quilômetros. Ele é responsável por deslocar ar quente e úmido da Amazônia em direção ao Centro-Sul do continente, fornecendo a energia necessária para a formação e o fortalecimento das tempestades.

A interação do JBN com sistemas frontais que chegam do sul do continente resulta em um aumento significativo da convergência de umidade e da instabilidade atmosférica, favorecendo a ocorrência de tempestades severas. Embora o transporte de umidade da Amazônia seja geralmente menor durante o inverno, a atuação intensa do JBN nos próximos dias é um fator determinante para o cenário de alerta.

A influência dos rios atmosféricos na América do Sul

Os rios atmosféricos são colunas longas e amplas de vapor d’água que se originam nas regiões tropicais e se deslocam em direção aos polos. Eles são responsáveis por transportar cerca de 90% do vapor d’água total que se move pelas latitudes médias da Terra. Esses sistemas, embora invisíveis a olho nu, podem ser detectados e analisados por meio de frequências infravermelhas e de micro-ondas, utilizando tecnologia de satélite.

Um rio atmosférico de tamanho médio pode ter aproximadamente dois mil quilômetros de comprimento, quinhentos quilômetros de largura e quase três quilômetros de profundidade. Sua capacidade de mover umidade é impressionante, podendo superar em até 15 vezes a vazão do rio Mississippi e, em média, duas vezes o fluxo regular do rio Amazonas, o maior do mundo em volume de descarga de água.

Além do Brasil, países como o Chile também são afetados por esses fenômenos. Previsões indicam que um poderoso rio atmosférico, classificado em categorias elevadas (4 e, em alguns momentos, 5 na escala de intensidade), está avançando pelo Oceano Pacífico em direção à América do Sul. Ele deve atingir o Chile, provocando chuvas extremas, tempestades, ventos intensos e fortes nevadas na Cordilheira dos Andes, impactando diversas regiões do país.

Impacto do aquecimento global e desmatamento na Amazônia

Cientistas alertam que, embora os rios atmosféricos sempre tenham existido, o aquecimento global está contribuindo para o aumento do vapor d’água na atmosfera. Esse aumento torna os rios atmosféricos mais intensos, longos, largos e destrutivos, capazes de despejar grandes volumes de água em um curto período, desencadeando inundações e deslizamentos de terra catastróficos em diversas partes do mundo.

Estudos indicam que o vapor d’água atmosférico global cresceu em até 20% desde a década de 1960. Pesquisas recentes revelaram que as condições de rios atmosféricos em regiões como a América do Sul tropical, Norte da África, Oriente Médio e Sudeste Asiático estão durando mais tempo, o que pode resultar em um aumento na quantidade de chuva e efeitos prejudiciais no solo, como observado em eventos de inundações no Oriente Médio.

Na América do Sul, os rios atmosféricos formados pela umidade que se evapora da Floresta Amazônica são vitais para a produção agrícola e a vida de milhões de pessoas, causando chuvas a milhares de quilômetros de distância. No entanto, o desmatamento da Amazônia é visto como uma séria ameaça ao funcionamento desse sistema climático. A destruição da floresta pode comprometer a capacidade da região de gerar e transportar umidade, desequilibrando temperaturas, níveis de umidade e, consequentemente, afetando a biodiversidade e prevenindo a desertificação em vastas áreas do continente. Para mais informações sobre o monitoramento climático, consulte o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Fonte: terra.com.br

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