Uma coalizão internacional de organizações da sociedade civil intensificou a pressão sobre a Federação Internacional de Futebol (Fifa) para que a entidade encerre os contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas. A iniciativa, denominada Tirem o Refrigerante de Campo, argumenta que a associação entre o futebol e produtos ultraprocessados contribui para a normalização de hábitos alimentares prejudiciais, especialmente entre crianças e adolescentes.
O movimento ganha força em um momento em que a exposição de marcas de refrigerante atinge bilhões de espectadores durante os torneios mundiais. Ativistas defendem que a entidade máxima do futebol deve seguir o precedente histórico estabelecido pelo setor de tabaco, que foi gradualmente removido do ecossistema de patrocínios esportivos globais nas últimas décadas.
Saúde pública e o impacto do consumo de bebidas açucaradas
A fundamentação da campanha baseia-se em evidências científicas que correlacionam o consumo frequente de bebidas adoçadas com o aumento de doenças crônicas. Segundo dados levantados pelo grupo, cada incremento de 250 mililitros na ingestão diária desses produtos eleva significativamente os riscos de obesidade, diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares.
O alerta é reforçado pelo fato de que uma única unidade de refrigerante de 355 mililitros supera, frequentemente, a recomendação diária de ingestão de açúcares livres para jovens. A preocupação central das entidades é que a publicidade agressiva durante eventos esportivos crie um ambiente de consumo que impacta a saúde pública a curto e longo prazos.
Carta aberta e o conceito de sportswashing
Mais de 100 organizações, incluindo instituições brasileiras como o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), formalizaram suas demandas por meio de uma carta enviada ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino. O documento utiliza o conceito de sportswashing para descrever a estratégia de marketing das marcas.
Para os signatários, o uso da imagem de ídolos do futebol para promover bebidas açucaradas funciona como uma “maquiagem esportiva”. O objetivo seria associar produtos nocivos a valores de bem-estar, saúde e performance atlética, confundindo o público sobre os reais efeitos desses alimentos no organismo humano.
Cenário de restrições publicitárias e precedentes
A discussão sobre a responsabilidade social das marcas na publicidade esportiva não se limita aos refrigerantes. Recentemente, o debate público também se voltou para a proliferação de anúncios de plataformas de apostas, conhecidas como bets. No Brasil, novas diretrizes ministeriais já impuseram restrições severas a esse tipo de propaganda, exigindo alertas claros sobre os riscos financeiros e de dependência.
A campanha Tirem o Refrigerante de Campo, que já conta com o apoio de centenas de milhares de pessoas, busca agora que a Fifa adote uma postura semelhante. Até o momento, a entidade não se manifestou sobre as solicitações apresentadas pelas organizações da sociedade civil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


































