Em uma iniciativa coordenada para trazer maior transparência ao mercado fonográfico, o Grammy, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e outras seis organizações globais anunciaram, na sexta-feira, 10, a criação de um sistema oficial de rotulagem para conteúdos musicais. A medida visa classificar faixas que utilizam inteligência artificial generativa em seus processos de produção, permitindo que o público identifique a origem técnica do material que consome.
A expectativa das entidades envolvidas é que o uso desses selos se torne um padrão global, facilitando a organização do vasto catálogo musical disponível nas plataformas digitais. A iniciativa surge em um momento de crescimento acelerado de conteúdos sintéticos, com dados da Apple Music indicando que mais de um terço das novas faixas enviadas para sua plataforma já possuem algum nível de intervenção de ferramentas de IA.
Categorias de identificação para produções musicais
O sistema de sinalização divide as obras em dois grupos distintos, cada um representado por um selo visual específico. O primeiro, um quadrado preto com a sigla AI em letras maiúsculas brancas, destina-se a composições onde a inteligência artificial foi responsável por gerar a totalidade ou a maior parte dos elementos criativos da gravação.
O segundo selo, um quadrado branco com a sigla ai em letras minúsculas, é reservado para produções “assistidas por IA”. Nesta categoria, a obra é substancialmente criada por humanos, mas incorpora elementos expressivos gerados por tecnologia. Para este rótulo, é obrigatório que os vocais e os instrumentos principais sejam executados por artistas humanos, preservando a essência da performance original.
Transparência e o papel dos serviços de streaming
A Digital Media Association (DIMA), que representa gigantes do setor como Spotify, Deezer e Amazon Music, manifestou apoio à iniciativa. A organização reforça que o fornecimento de metadados precisos é fundamental para garantir a transparência que os ouvintes esperam ao acessar novos lançamentos nas plataformas de streaming.
Segundo Graham Davies, diretor executivo da DIMA, a padronização das informações sobre o uso de IA é uma demanda antiga dos proprietários e distribuidores de música. A expectativa é que, com metadados mais detalhados, as empresas possam oferecer uma experiência de navegação mais clara, permitindo que o público saiba exatamente qual foi o grau de participação tecnológica na criação de cada faixa disponível no mercado.
Fonte: terra.com.br


































